Você viu o Messi chorar ao marcar seu primeiro gol na Copa de 2026? Aquele momento parou o mundo — e não foi só por causa do futebol. Foi porque todos nós reconhecemos, naquelas lágrimas, algo muito maior do que um gol: foi o encontro de um ser humano com o seu propósito mais verdadeiro.

Quando as lágrimas dizem o que as palavras não conseguem

Existe algo de profundamente humano em ver alguém chorar de alegria. E quando foi o Messi — o homem que já ganhou tudo, que já provou tudo — quem desabou em lágrimas ao marcar na Copa do Mundo de 2026, o mundo inteiro parou. Redes sociais travaram. Pessoas que nem gostam de futebol sentiram um nó na garganta. Por quê? Porque aquilo não era sobre um gol. Era sobre propósito. Era sobre pertencimento. Era sobre um ser humano que, mesmo no topo, ainda encontra significado no que faz.

E isso, minha amiga, é exatamente o que a psicologia chama de experiência de fluxo e propósito de vida — e ela tem muito a nos ensinar sobre como vivemos (ou deixamos de viver) as nossas próprias histórias.

O que a ciência diz sobre propósito e emoção

O psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi desenvolveu o conceito de flow (fluxo), que descreve aquele estado em que estamos tão completamente absortos em uma atividade que o tempo some, o ego se dissolve e o que resta é pura presença. É o estado onde a habilidade encontra o desafio de forma perfeita. E sabe o que Csikszentmihalyi descobriu? Que as pessoas que experimentam fluxo com frequência relatam níveis significativamente mais altos de bem-estar e satisfação com a vida.

Mais do que isso: um estudo publicado no Journal of Positive Psychology (2021) mostrou que pessoas com forte senso de propósito têm menor incidência de ansiedade, depressão e até doenças físicas. O propósito, literalmente, nos mantém vivos e inteiros. E o choro do Messi foi a expressão mais crua e honesta disso: um homem que sabe, no fundo do corpo, que está exatamente onde deveria estar.

Por que choramos ao ver o choro do outro?

Aqui entra outro conceito lindo da neurociência: os neurônios-espelho. Essas células foram descobertas pelo neurocientista Giacomo Rizzolatti e funcionam como um sistema interno de espelhamento — quando vemos alguém sentir algo intensamente, nosso cérebro ativa as mesmas regiões como se estivéssemos vivendo aquilo. Por isso você chorou (ou quase) vendo o Messi chorar. Não foi fraqueza. Foi empatia neurológica. Foi seu sistema nervoso reconhecendo algo verdadeiro.

E sabe o que esse reconhecimento também ativa? A pergunta silenciosa que mora dentro de cada um de nós: “Eu estou vivendo o meu propósito?”

“📱 Falei sobre o choro do Messi e o que ele revela sobre propósito de vida no Instagram @mariana.deluccia. Vem assistir ao vídeo e me contar o que você sentiu naquele momento — a conversa por lá está incrível!

Propósito não é privilégio de gênio — é direito humano

É muito fácil olhar para o Messi e pensar: “Bom, ele é o maior de todos os tempos, claro que encontrou o propósito dele.” Mas aqui mora um erro perigoso. Propósito não é algo que vem com talento extraordinário. Propósito é construído na relação entre o que você faz, o que você sente e o impacto que isso tem no mundo ao seu redor.

Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, escreveu em Em Busca de Sentido que o ser humano pode suportar qualquer como se tiver um porquê. O Messi chorou porque o futebol é o seu porquê. E a pergunta que fica é: qual é o seu?

Como encontrar (ou reencontrar) o seu propósito

  • Observe o que te faz perder a noção do tempo: Quando você está tão envolvida em algo que esquece de comer, de olhar o celular, de se preocupar — isso é um sinal. O fluxo raramente mente. Preste atenção nessas atividades e pergunte-se: como posso ter mais disso na minha vida?
  • Não descarte o que parece pequeno demais: Propósito não precisa ser grandioso para ser real. Cuidar de alguém, ensinar, criar, organizar, acolher — tudo isso pode ser um propósito legítimo e poderoso. O problema é que vivemos numa cultura que valoriza apenas os propósitos que aparecem em manchete.
  • Permita-se sentir sem interpretar de imediato: O Messi não parou para analisar as lágrimas. Ele só chorou. Às vezes, o caminho para o propósito começa quando paramos de intelectualizar tudo e deixamos o corpo falar. Emoção é informação — e ela merece ser sentida antes de ser explicada.
  • Busque apoio quando o propósito parece distante: Quando estamos em sofrimento, ansiosos ou esgotados, a conexão com o propósito se apaga. Não porque ele sumiu — mas porque estamos sobrevivendo, não vivendo. Nesses momentos, cuidar da saúde mental não é luxo. É o caminho de volta para si mesma.

O futebol como espelho da alma humana

A psico-oncologia me ensinou algo que carrego para sempre: diante da finitude, as pessoas não lamentam o que fizeram. Lamentam o que deixaram de fazer por medo, por julgamento, por não se acharem merecedoras. O Messi, aos seus anos de carreira, ainda chora de amor pelo que faz. Isso não é ingenuidade. É coragem. É a coragem de continuar se entregando mesmo quando o mundo já te coroou.

E essa entrega — essa presença total — é o que transforma uma atividade em propósito. É o que transforma um gol em poesia. É o que faz o mundo parar e chorar junto.

Uma reflexão para você levar hoje

Não precisa ser a Copa do Mundo. Não precisa ser um estádio lotado. Propósito pode ser aquele momento silencioso em que você está fazendo algo e sente, no peito, que é exatamente isso. Que é ali. Que é você. Se você ainda não encontrou esse momento — ou se já encontrou e se afastou dele — saiba que esse reencontro é possível. E que você merece viver com essa mesma intensidade que o Messi mostrou para o mundo inteiro naquele gol.

A psicologia existe justamente para isso: não para te dar respostas prontas, mas para te ajudar a fazer as perguntas certas sobre a sua própria vida.

Você já sentiu aquele momento em que estava fazendo algo e pensou “é aqui que eu pertenço”? Me conta nos comentários — adoro ler cada história de vocês. Com carinho, Mariana 💙

Mariana De Luccia Rivaben

Uma carreira sólida construída através de muito aprendizado com especial atenção a cada um de meus pacientes e alunos. >> Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. >> Especialista em Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. >> Especialista em Psicologia Clínica pelo CEP – Centro de Estudos Psicanalíticos. >> Atuação como docente do curso de Psicologia e Coordenadora da Clínica de Psicologia Aplicada no Centro Universitário Unifafibe.

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