Se a sua vida parece um inferno agora, não pare no meio dele

Você já teve aquela sensação de que acordou e tudo, absolutamente tudo, estava pesando ao mesmo tempo? Conta no coração, conta no bolso, conta na família, conta na alma. Se você está passando por isso agora, eu quero que você saiba que não está sozinha, e que existe algo muito importante que precisa ouvir antes de qualquer coisa: o pior lugar para desistir é exatamente no meio da travessia.

Quando o caos bate na porta (e resolve ficar)

A crise financeira que não dá trégua. O relacionamento que desmoronou. A porta que se fechou sem avisar. A sensação de que a vida escolheu exatamente esse momento para apresentar todos os problemas de uma vez. Isso tem nome, tem explicação e, mais importante do que tudo: tem saída.

Quando estamos no meio de uma crise intensa, o nosso sistema nervoso entra em colapso. O que a neurociência chama de resposta ao estresse agudo faz com que o córtex pré-frontal, responsável pelo raciocínio lógico e pela tomada de decisões, literalmente reduza sua atividade. Em outras palavras: no momento em que você mais precisa pensar com clareza, o seu cérebro está biologicamente comprometido para fazer exatamente isso. Não é fraqueza. É fisiologia.

Um estudo publicado no Journal of Neuroscience mostrou que situações de estresse crônico reduzem a conectividade entre o córtex pré-frontal e o hipocampo, afetando diretamente a nossa capacidade de encontrar soluções criativas para os problemas. Ou seja, quando você sente que sua mente está em branco diante do caos, isso não é falta de inteligência ou de força. É o seu cérebro pedindo socorro.

A frase que pode mudar a forma como você enfrenta isso

Existe uma citação atribuída a Winston Churchill que eu carrego comigo e compartilho com muitos dos meus pacientes: “Se você está atravessando o inferno, continue andando.” Simples assim. Sem romantismo excessivo, sem promessa de que vai ser fácil. Só a instrução mais honesta que existe: não pare.

Porque parar no meio do caos não é descanso. É se instalar no pior lugar possível. E o que a psicologia nos ensina é que a paralisia, aquela vontade de se encolher e esperar que tudo passe sem fazer nada, costuma prolongar o sofrimento muito mais do que a ação, mesmo que essa ação seja pequena e imperfeita.

Não enxergar a saída não significa que ela não existe. Significa que você ainda está no meio do túnel. E o meio do túnel é escuro para todo mundo.

O que acontece com a gente quando a vida aperta demais

Quando estamos em crise, é muito comum que o pensamento fique em modo catastrófico. A mente começa a generalizar: “Nada dá certo pra mim”, “Sempre foi assim e sempre vai ser”, “Não tem jeito”. Isso se chama distorção cognitiva, e é uma das respostas mais comuns do nosso psiquismo diante da dor intensa.

Na psicanálise, entendemos que o sofrimento muitas vezes nos convoca a revisitar partes de nós mesmas que ficaram esquecidas, feridas antigas que encontram na crise atual um espelho. Isso não quer dizer que você atraiu o problema. Quer dizer que a crise pode ser, paradoxalmente, um ponto de virada.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 1 em cada 4 pessoas no mundo enfrentará algum transtorno mental ao longo da vida, sendo que as crises existenciais e os períodos de colapso emocional estão entre os principais gatilhos para busca de apoio psicológico. Você não está fora da curva. Você está humana.

📱 Falo sobre crises emocionais, saúde mental e travessias difíceis no Instagram @mariana.deluccia. Vem me acompanhar por lá, tem muito conteúdo pensado com carinho pra você que está no meio dessa luta.

Dicas práticas para continuar andando quando tudo pesa

  • Resolva o que é possível resolver hoje, só hoje. Não tente resolver a sua vida inteira de uma vez. Pegue o problema mais urgente e pergunte: o que eu consigo fazer nas próximas horas? Uma ligação, um e-mail, uma conversa. Um passo de cada vez não é pouco, é exatamente o suficiente para não parar.
  • Nomeie o que você está sentindo. Parece simples, mas a neurociência confirma: dar nome às emoções reduz a ativação da amígdala cerebral, o centro do medo. Dizer em voz alta ou escrever “estou com medo”, “estou exausta”, “estou com raiva” já começa a organizar o caos interno. Não fuja do que você está sentindo. Sente, nomeia e segue.
  • Cuide do básico com seriedade. Nos momentos de crise, o corpo é o primeiro a ser esquecido. Mas dormir, comer, tomar água e mover o corpo são atos de resistência real. Não são frescura. São a base que sustenta qualquer outra decisão que você precisar tomar. Sem isso, fica muito mais difícil pensar com clareza.
  • Não faça do seu pior momento o seu endereço permanente. Isso significa: evite tomar decisões definitivas em momentos de colapso. Não feche portas, não queime pontes, não escreva o capítulo final da sua história quando você ainda está no meio da crise. Espere. O que parece permanente hoje, quase sempre não é.
  • Busque apoio sem culpa. Pedir ajuda não é fraqueza, é sabedoria. Seja uma conversa com alguém de confiança, seja um acompanhamento psicológico, seja uma rede de apoio. Ninguém atravessa tudo sozinho, e não precisa ser diferente com você.

Você não é o seu pior momento

Tem uma coisa que eu aprendi trabalhando com pessoas em situações extremas, em ambientes hospitalares, em momentos em que a vida literalmente estava em jogo: a capacidade humana de se reorganizar é extraordinária. Não porque a dor some. Mas porque a gente aprende a carregar o que não pode largar e a largar o que não precisa mais carregar.

A crise que você está vivendo agora diz muito sobre o momento, mas não diz nada sobre o seu destino. O seu pior momento não é a sua identidade. É uma fase. Uma travessia. E travessias, por definição, têm outro lado.

Então se hoje você conseguiu só respirar, já foi. Se você conseguiu dar um passo, ótimo. Se você leu esse texto até aqui, é porque alguma parte de você ainda está procurando saída. E isso, minha amiga, já é um começo.

Continue andando. Devagar, se precisar. Mas continue.

E você, consegue se identificar com essa sensação de estar no meio de uma travessia difícil? Me conta nos comentários, quero saber como você está. Com carinho, Mariana 💙

Mariana De Luccia Rivaben

Uma carreira sólida construída através de muito aprendizado com especial atenção a cada um de meus pacientes e alunos. >> Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. >> Especialista em Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. >> Especialista em Psicologia Clínica pelo CEP – Centro de Estudos Psicanalíticos. >> Atuação como docente do curso de Psicologia e Coordenadora da Clínica de Psicologia Aplicada no Centro Universitário Unifafibe.

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