Você não está presa à sua vida. Está presa à história que acredita sobre si mesma. E essa diferença muda tudo. Porque enquanto a gente acha que o problema é lá fora, a solução continua escondida dentro da gente, esperando ser encontrada.

A armadilha do pensamento que aprisiona

Deixa eu te contar sobre a Ana. Ela chegou ao consultório com aquele olhar de quem já desistiu antes de começar. Quarenta e dois anos, sonho de fazer uma faculdade, mas a frase que ela repetia era sempre a mesma: “Já passou a minha idade, Mariana.” E o mais doloroso não era o sonho adiado. Era a certeza absoluta com que ela dizia isso, como se fosse uma verdade científica, inquestionável, gravada em pedra.

Mas não era. Era uma crença. E existe uma diferença enorme entre os dois.

As crenças limitantes são narrativas que a gente constrói ao longo da vida, muitas vezes a partir de falas de outras pessoas, de experiências dolorosas, de comparações que nunca deveriam ter sido feitas. “Você não é inteligente o suficiente.” “Isso não é para mulher.” “Na nossa família ninguém conseguiu, por que você conseguiria?” Essas frases entram quietinhas e vão se instalando como se fossem parte de quem você é. Mas não são.

O que acontece no seu cérebro quando você repete essas histórias

Aqui vem a parte que eu preciso que você entenda de verdade, porque é onde a ciência encontra o cotidiano de um jeito que muda a perspectiva.

O nosso cérebro tem uma função chamada viés de confirmação. Em termos simples: ele tende a buscar, perceber e lembrar informações que confirmem o que já acredita, ignorando o que contradiz. Isso foi amplamente estudado pelo psicólogo Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia, em suas pesquisas sobre os sistemas de pensamento humano, e é uma das bases da psicologia cognitiva contemporânea.

Na prática, funciona assim: quando você repete “eu não sou capaz”, o seu cérebro começa a trabalhar para provar que você está certa. Ele vai selecionar memórias de fracasso, vai minimizar suas conquistas, vai ampliar cada tropeço como se fosse uma confirmação da sua incapacidade. E aí vem a armadilha mais cruel: você não tenta porque acredita que não consegue. E como não tenta, não consegue. E aí a crença se fortalece. É um ciclo que se alimenta sozinho, silenciosamente, todos os dias.

Uma pesquisa publicada no Journal of Personality and Social Psychology mostrou que mulheres, em especial, tendem a atribuir seus fracassos a características internas e fixas, como falta de talento ou capacidade, enquanto atribuem seus sucessos a fatores externos, como sorte ou ajuda de outros. Isso não é fraqueza. É o resultado de anos de condicionamento social que precisa ser reconhecido para ser desconstruído.

Nem tudo que você acredita sobre si mesma é verdade

Essa frase pode parecer simples, mas ela é revolucionária. Porque a maioria das mulheres que chegam até mim não estão presas a uma vida ruim. Elas estão presas a uma versão de si mesmas que foi construída por outras pessoas, em outros tempos, com outras intenções.

A mulher que te disse que você era exagerada demais. O relacionamento que te fez acreditar que você era difícil de amar. A escola que classificou sua inteligência por uma única nota. O mercado de trabalho que te fez sentir que você precisava provar o dobro para valer a metade.

Essas experiências são reais. A dor que causaram também é real. Mas as conclusões que você tirou sobre si mesma a partir delas, essas merecem ser revisitadas com cuidado, com curiosidade, e com muito mais gentileza do que você está acostumada a ter consigo mesma.

“📱 Falo sobre crenças limitantes e saúde emocional feminina todo dia no Instagram @mariana.deluccia. Vem me acompanhar e participar dessa conversa que pode mudar muita coisa por dentro.

Como começar a soltar essa história que não é mais sua

Não existe fórmula mágica, e você sabe que eu não trabalho com isso. Mas existem movimentos reais, práticos, que você pode começar hoje. Não para virar outra pessoa, mas para se aproximar da mulher que você já é, por baixo de tudo que te disseram que você deveria ser.

  • Questione a origem da crença, não apenas o conteúdo dela. Quando você pensar “eu não sou capaz”, pergunte: quem disse isso primeiro? Em que momento eu decidi acreditar? Essa voz é minha ou é emprestada? Muitas vezes, rastrear a origem já enfraquece o poder da crença.
  • Colete evidências contrárias de forma intencional. O seu cérebro está programado para confirmar o que você já acredita. Então você precisa fazer o trabalho oposto conscientemente. Toda semana, anote três situações em que você foi capaz, corajosa, criativa ou resiliente. Não precisa ser grande. Pode ser ter pedido ajuda, ter dito não, ter tentado mesmo com medo.
  • Mude a ação antes de mudar a crença. Esse é um dos maiores ensinamentos da terapia comportamental: você não precisa acreditar em si mesma para agir. Muitas vezes, é a ação pequena e repetida que vai, aos poucos, construindo a nova evidência. Tente. Erre. Tente de novo. A crença começa a ceder quando o comportamento muda.
  • Cuide do ambiente em que você está imersa. Quem está ao seu redor? Que conteúdo você consome? Que conversas você tem? As crenças não vivem só dentro da gente, elas são alimentadas ou enfraquecidas pelo contexto. Cercar-se de referências que ampliam o que é possível para mulheres como você não é escapismo. É estratégia.

A mulher que você quer ser já existe

Ela não está esperando você emagrecer, terminar um curso, arrumar as finanças ou resolver todos os seus problemas. Ela está esperando você parar de acreditar na versão de você que foi construída pelo medo, pela comparação e pelas expectativas dos outros.

A Ana, que eu te contei no começo, entrou na faculdade. Aos quarenta e três anos. E no dia da matrícula, ela me mandou uma mensagem que eu guardo até hoje: “Mariana, eu quase não vim porque achei que já era tarde. Mas tarde para quem?”

Essa pergunta é para você também. Tarde para quem? Segundo quem? Com base em qual história que você decidiu, um dia, acreditar como verdade absoluta?

Você não está presa à vida que tem. Você está presa à mulher que acredita que é. E crenças, diferente de fatos, podem mudar. Com consciência, com suporte e com muita coragem de se olhar de um jeito novo.

Você merece essa revisão. Você merece essa chance.

Isso fez sentido para você? Me conta nos comentários qual crença você mais repete sobre si mesma e que talvez já seja hora de questionar. Adoraria ler e conversar com você sobre isso. Com carinho, Mariana 💙

Mariana De Luccia Rivaben

Uma carreira sólida construída através de muito aprendizado com especial atenção a cada um de meus pacientes e alunos. >> Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. >> Especialista em Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. >> Especialista em Psicologia Clínica pelo CEP – Centro de Estudos Psicanalíticos. >> Atuação como docente do curso de Psicologia e Coordenadora da Clínica de Psicologia Aplicada no Centro Universitário Unifafibe.

Leave a Reply