Você marcou sua primeira sessão de terapia e agora bate aquele frio na barriga: “O que eu vou falar?”, “Por onde começar?”, “E se eu não souber explicar o que sinto?”. Calma, respira fundo! Essa ansiedade é completamente normal e, acredite, você não precisa ter um roteiro perfeito na cabeça.

A primeira sessão não é um exame

Vamos desmistificar algo importante: a primeira consulta com o psicólogo não é uma prova onde você precisa ter todas as respostas corretas. Na verdade, é exatamente o contrário! É um espaço seguro para você começar a organizar seus pensamentos, sentimentos e experiências, mesmo que tudo pareça uma bagunça na sua cabeça.

Muitas pessoas chegam ao consultório achando que precisam ter clareza total sobre seus problemas, mas segundo dados da Associação Brasileira de Psicologia, cerca de 70% dos pacientes relatam dificuldade para verbalizar suas questões na primeira sessão. E isso é perfeitamente normal!

Pense na terapia como uma conversa com alguém que está genuinamente interessado em te entender. O psicólogo está ali para te ajudar a encontrar as palavras, não para te julgar pela ausência delas.

O que naturalmente surge na primeira sessão

Geralmente, a primeira conversa flui de forma bem orgânica. O psicólogo pode começar perguntando o que te trouxe ali, mas não se preocupe em ter uma resposta elaborada. Pode ser algo simples como “ando me sentindo muito ansiosa” ou “estou passando por um momento difícil no trabalho”.

É comum que sejam abordados temas como:

  • O motivo principal que te levou a buscar terapia: Pode ser uma situação específica, um sentimento persistente ou simplesmente a vontade de se conhecer melhor
  • Como você tem se sentido ultimamente: Não precisa ser técnico, descreva com suas próprias palavras
  • Aspectos da sua rotina atual: Trabalho, relacionamentos, família – o que faz parte do seu dia a dia
  • Expectativas sobre o processo: O que você espera da terapia, mesmo que ainda não tenha certeza

Tá tudo bem não saber por onde começar

Sabe aquela sensação de ter mil coisas para falar mas não conseguir organizar nenhuma? Ou o contrário: achar que não tem nada importante para compartilhar? Ambas as situações são super comuns e fazem parte do processo.

Lembro de uma paciente que chegou dizendo: “Doutora, minha vida está normal, mas eu não estou bem”. E foi exatamente por aí que começamos. Às vezes, o “não saber explicar” já é uma informação valiosa sobre como você está se sentindo.

📱 Compartilho mais reflexões sobre os primeiros passos na terapia no Instagram @mariana.deluccia. Vem trocar uma ideia sobre como tornar esse processo mais leve!

Dicas práticas para se preparar (sem pressão!)

Se você é daquelas pessoas que se sentem mais seguras com um “norte”, aqui vão algumas sugestões bem simples:

  • Anote situações que te incomodam: Não precisa ser um diário elaborado, apenas pontos que chamaram sua atenção nos últimos tempos
  • Reflita sobre padrões: Existe algo que se repete na sua vida e te causa desconforto?
  • Pense nas suas relações: Como você se sente nos seus relacionamentos familiares, amorosos, de amizade, profissionais?
  • Considere seus objetivos: O que você gostaria que fosse diferente na sua vida?
  • Lembre-se dos seus recursos: O que já te ajudou em momentos difíceis antes?

E se eu chorar? E se eu travar?

Chorar na terapia não é sinal de fraqueza, é sinal de que você está se permitindo sentir. Muitas vezes, as lágrimas vêm antes das palavras, e tudo bem! O choro pode ser uma forma de comunicação tão válida quanto a fala.

Se você “travar” e não souber o que dizer, pode simplesmente verbalizar isso: “Estou sem palavras agora” ou “Não sei como explicar isso”. O silêncio também faz parte do processo terapêutico e pode ser muito revelador.

Lembre-se: o psicólogo está preparado para lidar com todas essas situações. Não existe reação “errada” no consultório.

A importância da honestidade (incluindo suas dúvidas)

Uma coisa que sempre digo aos meus pacientes: seja honesto sobre suas dúvidas em relação ao próprio processo. Se você está ali meio “empurrado” por alguém, se tem resistências, se não acredita muito que vai funcionar – fale sobre isso!

Essas informações ajudam muito o profissional a entender seu momento e adaptar a abordagem. Não existe julgamento, existe acolhimento e estratégia terapêutica.

O que o psicólogo realmente quer saber

Mais do que fatos cronológicos da sua vida, o psicólogo está interessado em como você vivencia suas experiências. Como você se sente, como interpreta as situações, quais são seus medos, sonhos, frustrações.

Não se preocupe em contar sua história de forma linear ou “organizada”. A terapia é um espaço onde você pode ser autêntico, com todas as suas contradições e complexidades.

Construindo uma relação terapêutica

A primeira sessão também serve para vocês se conhecerem mutuamente. É normal que você observe se se sente confortável com o profissional, se a abordagem faz sentido para você, se consegue se imaginar construindo um vínculo ali.

Pesquisas mostram que a qualidade da relação terapêutica é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento, segundo estudos publicados no Journal of Clinical Psychology. Por isso, preste atenção em como você se sente sendo acolhido.

Dar o primeiro passo em direção ao autoconhecimento e ao cuidado emocional já é um ato de coragem imenso. Você não precisa chegar “pronto” na terapia – na verdade, é exatamente porque não estamos “prontos” que buscamos esse espaço de crescimento e elaboração. Confie no processo, confie em você e lembre-se: a jornada de mil quilômetros começa com um único passo, e você já está dando o seu.

E você, o que mais te deixa ansioso sobre começar terapia? Com carinho, Mariana 💙

Mariana De Luccia Rivaben

Uma carreira sólida construída através de muito aprendizado com especial atenção a cada um de meus pacientes e alunos. >> Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. >> Especialista em Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. >> Especialista em Psicologia Clínica pelo CEP – Centro de Estudos Psicanalíticos. >> Atuação como docente do curso de Psicologia e Coordenadora da Clínica de Psicologia Aplicada no Centro Universitário Unifafibe.

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