Você recebeu aquela ligação da escola dizendo que seu filho chorou muito e não conseguiu se acalmar. Seu coração apertou, a culpa bateu forte e você pensou: “Sou uma péssima mãe”. Se você já viveu isso, saiba que não está sozinha nessa jornada.
O choro na escola é uma das situações que mais desperta sentimentos de culpa materna, mas também uma das mais naturais no desenvolvimento infantil. Vamos conversar sobre como lidar com esses momentos sem se culpar e entender o que realmente está acontecendo com seu pequeno.
Por que as crianças choram na escola?
Primeiro, vamos desmistificar algo importante: chorar na escola não é sinal de que você fez algo errado como mãe. Na verdade, segundo estudos da área do desenvolvimento infantil, cerca de 70% das crianças entre 2 e 5 anos apresentam episódios de choro durante a adaptação escolar ou em momentos de maior estresse no ambiente educacional.
O choro é a linguagem emocional das crianças. É assim que elas comunicam desconforto, medo, frustração, cansaço ou até mesmo alegria intensa. Na escola, diversos fatores podem desencadear o choro:
Ansiedade de separação: É completamente normal que crianças sintam medo quando se separam dos pais, especialmente em ambientes novos ou durante transições.
Sobrecarga sensorial: O ambiente escolar pode ser muito estimulante – muitas crianças, ruídos, atividades simultâneas. Para algumas crianças mais sensíveis, isso pode ser overwhelming.
Dificuldades sociais: Conflitos com colegas, dificuldade para fazer amigos ou se expressar podem gerar frustração e lágrimas.
Necessidades físicas: Fome, sono, desconforto físico ou até mesmo a necessidade de ir ao banheiro podem manifestar-se através do choro.
A culpa materna é real e precisa ser acolhida
Quando seu filho chora na escola, é natural que você se questione: “O que eu fiz de errado?”, “Será que não o preparei adequadamente?”, “Outras mães não passam por isso?”. Esses pensamentos fazem parte do que chamamos de culpa materna, um fenômeno muito comum e que merece ser compreendido com carinho.
A culpa surge porque, como mães, temos uma tendência natural a nos responsabilizar pelo bem-estar emocional dos nossos filhos. Isso é resultado tanto de aspectos evolutivos quanto sociais – fomos “programadas” para proteger e cuidar, e quando percebemos que nosso filho está sofrendo, imediatamente buscamos em nós mesmas a causa ou a solução.
Mas aqui vai uma verdade libertadora: você não é responsável por todas as emoções do seu filho. Crianças precisam vivenciar diferentes sentimentos para desenvolver regulação emocional, e isso inclui momentos de tristeza, frustração e sim, choro.
O que fazer quando receber “aquela” ligação da escola
Respire fundo. Sei que é mais fácil falar do que fazer, mas sua reação inicial vai influenciar tanto seu bem-estar quanto a forma como você vai acolher seu filho.
Mantenha a calma: Crianças são como pequenas antenas emocionais. Se você chegar na escola em pânico, seu filho vai captar essa energia e pode ficar ainda mais desregulado.
Faça perguntas específicas: Ao invés de apenas ouvir “ele chorou muito”, pergunte: quando começou? O que estava acontecendo antes? Como ele reagiu às tentativas de consolá-lo? Quanto tempo durou?
Observe sem julgar: Quando encontrar seu filho, observe como ele está. Às vezes, crianças se recuperam mais rapidamente do que imaginamos, e o episódio pode ter sido pontual.
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Estratégias práticas para fortalecer seu filho emocionalmente
Existem formas concretas de ajudar seu filho a desenvolver recursos internos para lidar melhor com os desafios escolares:
- Valide as emoções: “Vi que você ficou triste na escola hoje. É normal sentir isso às vezes.” Evite frases como “não precisa chorar” ou “isso não é nada demais”.
- Crie rituais de despedida: Um beijinho especial, uma frase carinhosa, um objeto de transição. Isso ajuda a criança a se sentir conectada com você mesmo à distância.
- Pratique a regulação emocional em casa: Ensine técnicas simples como respiração profunda, contar até dez ou identificar emoções através de cores ou desenhos.
- Fortaleça a parceria com a escola: Converse com professores sobre estratégias que funcionam em casa e esteja aberta a sugestões da equipe pedagógica.
- Mantenha rotinas previsíveis: Crianças se sentem mais seguras quando sabem o que esperar. Rotinas consistentes em casa ajudam a enfrentar melhor as incertezas do ambiente escolar.
Quando buscar ajuda profissional
É importante distinguir entre episódios pontuais de choro e situações que podem indicar necessidade de suporte adicional. Segundo pesquisas recentes da área de psicologia do desenvolvimento, publicadas no Journal of School Psychology (2023), sinais de alerta incluem choro frequente por mais de 4 semanas consecutivas, recusa total em ir à escola, sintomas físicos como dores de barriga sem causa médica, ou regressões significativas no desenvolvimento.
Se você notar esses sinais, não hesite em buscar orientação de um psicólogo especializado em desenvolvimento infantil. Isso não significa que você falhou como mãe – significa que você está sendo cuidadosa e proativa.
Cuidando de você também
Aqui vai algo que talvez ninguém tenha te dito: para cuidar bem do seu filho, você precisa cuidar de si mesma também. A culpa materna pode ser muito desgastante e afetar sua capacidade de oferecer o suporte emocional que seu pequeno precisa.
Permita-se sentir o que está sentindo, mas também questione esses pensamentos. Converse com outras mães, busque sua rede de apoio, e lembre-se de que maternidade é um processo de aprendizado constante – para você e para seu filho.
Ser uma boa mãe não significa evitar que seu filho chore ou sinta emoções difíceis. Ser uma boa mãe significa estar presente, acolher com amor e ensinar seu pequeno que todas as emoções são válidas e temporárias.
Lembre-se: você está fazendo o seu melhor com os recursos que tem hoje. Isso é suficiente. Seu filho não precisa de uma mãe perfeita – ele precisa de uma mãe real, presente e amorosa. E pelo simples fato de estar lendo este texto e se preocupando com o bem-estar emocional dele, você já demonstra ser exatamente o tipo de mãe que ele precisa.
*Você já passou por uma situação parecida? Como lidou com a culpa materna nesses momentos?* *Com carinho, Mariana* 💙







