“Eu faço tanto por ele, mas parece que ele nem liga.” “Eu sempre demonstro carinho, mas não sinto que ela retribui.” Essas frases soam familiares para vocês? Se sim, vocês não estão sozinhos! Essa é uma das questões mais frequentes que ouço no consultório, e hoje quero conversar sobre algo que pode revolucionar a forma como vocês enxergam os relacionamentos.

As diferentes formas de amar

Nós, seres humanos, temos maneiras muito particulares de expressar e receber amor. Alguns de vocês talvez já tenham ouvido falar das “linguagens do amor”, mas vou explicar de uma forma bem prática:

Através do serviço

São pessoas que demonstram amor fazendo. Cozinham para quem amam, arrumam a casa, resolvem problemas práticos. “Se eu amo você, eu cuido de você.”

Através de palavras

Essas pessoas verbalizam seus sentimentos. Dizem “eu te amo”, fazem elogios, mandam mensagens carinhosas. Para elas, as palavras têm um poder imenso.

Através do contato físico

Demonstram afeto através de abraços, carícias, beijos, proximidade física. O toque é a forma mais genuína de conexão para elas.

Através de presentes

Não estou falando de materialismo! São pessoas que se expressam através de símbolos tangíveis do amor – uma flor colhida no caminho, um chocolate especial, algo que mostre “pensei em você”.

Através do tempo de qualidade

Para essas pessoas, estar presente é o maior presente. Conversas, passeios, momentos juntos sem distrações são sua forma de demonstrar amor.

A armadilha das expectativas

Agora vem a parte que complica tudo: nós tendemos a dar aos outros aquilo que gostaríamos de receber. E é aí que mora o perigo!

Imaginem a situação: João expressa amor através de serviços. Ele lava a louça, faz o jantar, cuida de tudo em casa achando que está demonstrando seu amor. Mas sua esposa, Maria, tem como linguagem principal as palavras de afirmação.

João fica frustrado porque “faço tudo por ela e ela não reconhece”. Maria fica triste porque “ele nunca me diz que me ama, só fica ocupado com as coisas da casa”.

Cada um está amando na sua própria linguagem, mas não estão se conectando!

O óbvio que esquecemos

Parece tão simples, mas é uma verdade que frequentemente esquecemos: o outro é o outro, não é você. Essa pessoa que você ama não vai necessariamente reagir às suas demonstrações de carinho da mesma forma que você reagiria.

E sabe o que acontece quando não entendemos isso? Criamos expectativas irreais. Esperamos que o outro nos retribua exatamente da mesma forma que oferecemos amor. É como se estivéssemos falando português com alguém que só entende inglês!

A chave para relacionamentos mais saudáveis

Durante anos de clínica, desenvolvi uma estratégia que compartilho com meus pacientes e que tem transformado relacionamentos: faça pelo outro, mas faça primeiro por você.

Antes de qualquer gesto de amor, se perguntem:

  • “Eu ficaria feliz fazendo isso?”
  • “Isso me traz satisfação genuína?”
  • “Estou fazendo isso por prazer próprio ou só esperando algo em troca?”

Se a resposta para as duas primeiras perguntas for “sim” e para a terceira for “por prazer próprio”, vão em frente!

Por que isso funciona?

Quando fazemos algo por nossa própria felicidade primeiro, acontecem coisas mágicas:

1. Eliminamos o ressentimento

Não criamos aquela conta mental: “Eu fiz isso, então ele me deve aquilo.”

2. Agimos com autenticidade

Nossos gestos saem mais genuínos, sem aquela energia pesada de cobrança.

3. Ficamos menos frustrados

Se não estamos esperando uma reação específica, não nos decepcionamos quando ela não vem.

4. O outro sente a diferença

Quando amamos sem cobrar, as pessoas sentem essa leveza e naturalmente ficam mais receptivas.

📱 Quer entender melhor suas linguagens do amor?

No meu Instagram @mariana.deluccia eu sempre compartilho dicas sobre relacionamentos e autoconhecimento. Tem vários conteúdos sobre como identificar sua linguagem do amor e a do seu parceiro. Vale a pena conferir!

Exemplos práticos do dia a dia

Na relação amorosa

Em vez de: “Eu sempre faço o jantar para mostrar que amo, mas ele nunca faz o mesmo.” Pense: “Eu gosto de cozinhar e me sinto bem cuidando dele através da comida. Se ele retribuir de outra forma (um abraço, um elogio, ajuda com outra coisa), também é amor.”

Com os filhos

Em vez de: “Eu compro tudo para eles, mas eles são ingratos.” Pense: “Eu me sinto bem podendo proporcionar essas coisas. Se eles demonstram carinho me contando seus problemas ou pedindo conselhos, isso também é amor.”

Com amigos

Em vez de: “Eu sempre estou disponível quando precisa, mas quando eu preciso…” Pense: “Eu gosto de ser uma pessoa em quem podem confiar. Se meu amigo retribui de outras formas (lembrando de datas importantes, dividindo momentos felizes), isso também conta.”

O amor incondicional começa em você

A verdade é que o amor mais pleno é aquele que oferecemos sem condições, sem contratos implícitos. Não significa ser capacho ou aceitar desrespeito! Significa amar sabendo que cada pessoa tem sua forma única de expressar e receber afeto.

Quando começamos a amar primeiro por nossa própria satisfação, descobrimos algo libertador: o amor que damos nos preenche independentemente do que recebemos de volta. E curiosamente, quando paramos de cobrar, muitas vezes as pessoas se sentem mais livres para retribuir à sua própria maneira.

Uma reflexão para levar

simplesmente faça, não faça esperando algo em troca, faça pela sua felicidade em primeiro lugar.

Da próxima vez que fizerem algo carinhoso por alguém, se perguntem: “Estou fazendo isso porque me faz bem ou porque estou esperando algo específico em troca?”

A resposta pode mudar completamente a qualidade dos seus relacionamentos.

Lembrem-se: amar não é uma moeda de troca. É um presente que damos primeiro a nós mesmos e depois compartilhamos com o mundo.


E vocês, já pararam para pensar qual é a linguagem do amor que mais usam? E qual preferem receber? Contem nos comentários – adoro conhecer melhor vocês que me acompanham!

Com muito carinho,
Mariana
💕

Mariana De Luccia

Uma carreira sólida construída através de muito aprendizado com especial atenção a cada um de meus pacientes e alunos. . Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie . Especialista em Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo . Especialista em Psicologia Clínica pelo CEP – Centro de Estudos Psicanalíticos . Atuação como docente do curso de Psicologia e Coordenadora da Clínica de Psicologia Aplicada no Centro Universitário Unifafibe

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